@Title: Laborinho

@File: pnatla03

@Participants: LAB, Laborinho, (man, C, 3, lawyer, speaker, Nazaré/Lisboa)

@Date: 19/11/2001

@Place: Bragança

@Situation: LAB gives a talk about justice

@Topic: history of justice and theater

@Source:

@Class: formal, law, monologue

@Length: 20'14''

@Words: 2.958

@Acoustic_quality: A

@Transcriber: Lúcia Garcia Marques

@Revisor: Rita Veloso

@Comments:

 

*LAB: o que me foi pedido / foi que tratasse a questão da ordem / da justiça e das máscaras / e talvez um pouco ao contrário do que iriam pensar / eu entendi que deveria colocar o acento tónico no lado das máscaras / &eh / e não imediatamente do lado da ordem e do lado da justiça / e cruzando a máscara que aqui vos trazia / com as interpelações que sobre ela forem feitas / exactamente pela ordem e pela justiça / e pegando no próprio tema / ordem / justiça / e máscaras / entendi &de / dever reconvertê-lo num outro tríptico / se quiserem / com a mesma densidade de expressão mas com uma capacidade de interrelação dinâmica maior // fazer corresponder à máscara o contexto alargado de arte / fazer corresponder à ordem o seu contraponto / o crime / e continuar a manter entre ambas a justiça // e por isso trazer aqui / abordando sempre obviamente as questões da ordem / da justiça e da máscara / estabelecer aqui uma relação entre a arte / a justiça e o crime / e começar desde logo por colocar estes três elementos em diálogo relativo entre si / o que é que a arte pergunta ao crime e à justiça // o que é que a justiça pergunta ao crime e à arte // o que é que o crime pergunta à arte e à justiça // e desenvolver um conjunto de interrogações / deixá-las sem resposta / maçar-vos com uma exposição sobre a matéria / e chegarmos ao fim a tentarmos encontrar a partir daquilo que dissemos / as respostas às questões primeiramente formuladas // assim / o que perguntará a arte? a arte pergunta com certeza / será a justiça uma estética? haverá uma estética do crime? dizendo se quiserem de outro modo / com a interrogação postulada pela arte / quando se pergunta / será a justiça uma estética / será também uma estética / será só uma estética // quando a arte pergunta / haverá uma estética do crime? quer com isto perguntar se pode o crime ser belo / ou se pode o crime representar o belo // portanto duas interrogações que vos deixo no ar // segundo naipe de interrogações colocado pela justiça / poderá o crime ser justo? isto é / negando-se valores / pode-se ainda assim negar valores em nome da justiça / e portanto admitir que pode haver um crime justo? e perguntando à arte / a justiça / será que a arte se pode considerar uma forma superior de justiça? digamos / a justiça / representada na arte / encontrar-se nela como a expressão da máxima ordem? será portanto a arte uma forma superior de justiça? e terceiro leque de perguntas / as perguntas feitas pelo crime / estas perguntas um pouco mais pesadas / poderá a arte ser uma forma de crime ou pode o crime manifestar-se através da arte? e segunda pergunta / poderão os justos praticar crimes? e aqui temos nós um vasto conjunto de perguntas / que dariam para a semana toda para que foi concebida esta acção junto de vós // então vamos deixar as perguntas no ar / e vamos tentar percorrer algum caminho / que nos dê elementos eventualmente suficientes para podermos responder a cada uma destas perguntas / assim formuladas // eu gostava de vos propor / que / se fosse caso disso / me interrompessem // evidentemente que no fim eu estarei disponível para debater convosco / e responder a questões que me queiram colocar / mas se entenderem que me devem interromper / façam-no também / para podermos estabelecer aqui um ambiente agradável de conversa amena sobre este tema // nós temos de justiça uma ideia de julgamento /